Taxonomia e a Classificação dos Seres Vivos



     O campo da biologia que estuda a classificação dos seres vivos e a biodiversidade é a sistemática. O sistema desenvolvido pelos cientistas utiliza, em linhas gerais, o mesmo princípio utilizado na organização de produtos em um supermercado ou em uma coleção de selos: a divisão em categorias. Assim, a sistemática apresenta seus resultados por meio da classificação biológica, ou taxonomia, um sistema sintético que organiza os seres vivos em categorias hierárquicas, isto é, incluem categorias menores em categorias maiores. Os principais objetivos são:
     • Descrever a diversidade biológica, ou seja, desenvolver catálogos tão completos quanto possível das características típicas de cada espécie, além de batiza-la com um nome científico;
     • Desenvolver critérios para organizar a diversidade e compreender os processos responsáveis pela existência da diversidade biológica.

   UMA BREVE HISTÓRIA SOBRE A CLASSIFICAÇÃO DOS SERES


     Platão foi o primeiro filósofo a conceituar, classificar e acreditar na existência de somente uma espécie. Para ele, espécie é o conjunto de semelhanças, formas e ideias, que são divididas em seres úteis e nocivos. Os seres úteis são aqueles que têm a capacidade de desenvolver um raciocínio, como os animais e o ser humano. Já os seres nocivos são aqueles que não pensam, como as plantas.
O filósofo grego Platão de Atenas.

    Mais tarde, Aristóteles, que também era um filosofo (aluno de Platão), expandiu a classificação feita por seu professor. A nova classificação passou a ser entre 3 reinos: mineral, vegetal e animal (possui alma). Além disso criou o conceito de gênero, a ligação de várias espécies por meio de suas semelhanças, e família, um conjunto de gêneros semelhantes.
    
A classificação dos seres,segundo Aristóteles
    Em 1735, Lineu, um naturalista sueco, elegeu a espécie como categoria taxonômica, ou táxon básico. Para ele, espécie era um grupo de indivíduos dotados de certas características estruturais semelhantes, ausentes em outras espécies. A segunda categoria taxonômica adotada por Lineu foi o gênero, sendo mais abrangente que a espécie, incluindo deferentes espécies que apresentam grandes semelhanças estruturais. Seguindo a linha de criar categorias taxonômicas cada vez mais abrangentes, Lineu reuniu gêneros semelhantes em família e famílias semelhantes em ordens. Atualmente, além dessas quatro categorias criadas põe ele, as ordens estão reunidas em classes, as classes estão reunidas em filos e os filos estão reunidos em reinos.
Classificação dos Seres, segundo Lineu.
             Além de propor uma nova divisão de táxons, Lineu também criou o que conhecemos hoje como nomenclatura binomial. De acordo com as regras de nomenclatura, esse sistema sugere que:
  • Todo nome cientifico deve possuir duas palavras;
  • A primeira palavra se refere ao gênero do ser vivo e a segunda é o epíteto específico (espécie);
  • A primeira letra do primeiro nome deve estar em maiúsculo e as demais em minúsculo;
  • Quando digitado o nome cientifico deve estar em itálico e quando manuscrito as duas palavras devem estar sublinhadas;
  • Algumas espécies podem possuir 3 nomes, sendo este terceiro a subespécie do ser vivo.

       CONCEITO BIOLÓGICO


       Pensar que semelhanças físicas podem ser consideradas critérios de catalogação de espécies é um engano bastante comum. Atualmente, usamos o conceito proposto em 1942 pelo biólogo Ernest Mayr, segundo qual:

''Espécies são seres que vivem no mesmo lugar ao mesmo tempo, cruzam entre si, produzem prole fértil, formam população, são semelhantes morfologicamente e têm o mesmo número de cromossomos.''

OBS: a espécie é a única classificação natural que existe, todas as outras foram criadas pelo homem, ou seja, são artificiais.

      A EVOLUÇÃO DOS SERES VIVOS

     De acordo com a teoria da evolução proposta por Charles Darwin, toda espécie surge de uma espécie ancestral por um processo denominado especiação. Como esse processo demora muito tempo, no mínimo alguns milhares de anos, ele nunca foi observado diretamente. Sua ocorrência, entretanto, pode ser deduzida pela análise comparativa de espécies atuais e de fósseis, além do conhecimento sobre o comportamento dos genes nas populações.
      Já os biólogos afirmam que a principal maneira de formação de novas espécies é a cladogênese, também chamada especiação por diversificação. Admite-se que esse processo tem início com o isolamento entre populações de uma espécie ancestral, de modo que os indivíduos das populações não possam mais cruzar entre si.
      O naturalista Lineu não acreditava na evolução dos seres vivos. Para ele, o número de espécies era fixo, pois seria definido por Deus no momento da criação. A ideia de parentesco evolutivo surgiu com Darwin. Ele concluiu que as semelhanças e diferenças entre os seres vivos resultam de sua história evolutiva. Duas espécies que descendem de um ancestral mais recente devem ter mais semelhanças entre si do que com outras espécies com as quais compartilham ancestrais mais remotos. Os conhecimentos atuais dão suporte à ideia que todos os seres vivos compartilham ancestrais comuns, que viveram há mais de 3 bilhões de anos.

      CLADOGRAMAS

   As “genealogias de seres vivos” imaginadas por Darwin, atualmente chamadas de árvores filogenéticas, ou filogenias, são diagramas que representam as relações de parentesco evolutivo entre grupos de seres vivos. Esses diagramas são chamados de “árvores” porque consistem de linhas que se bifurcam sucessivamente, como os galhos de uma árvore.

Exemplo de árvore filogenética 
    Outro diagrama é o cladograma, que mostra a relação de parentesco entre os táxons, sendo importante para agrupar aqueles que possuem características em comum, ou seja, organismos que são mais próximos filogeneticamente. Nos cladogramas, as separações ou bifurcações representam os ancestrais comuns dos grupos aos quais estão associados.
Uma de autoria do BioPlusTeam

Uma breve explicação sobre um cladograma.


             REINOS

     O reino Monera reúne os seres procarióticos, cuja principal característica é possuir células sem separação física entre o material nuclear e o citoplasma. O reino Protoctista inclui os protozoários, seres eucarióticos, unicelulares e heterotróficos, e as algas, seres eucarióticos, unicelulares ou multicelulares e autotróficos fotossintetizantes. O reino Fungi inclui os fungos, seres eucarióticos, multicelulares, que se assemelham às algas na organização e na reprodução, mas diferem delas por serem heterotróficos. O reino Plantae reúne as plantas, seres eucarióticos, multicelulares e autotróficos fotossintetizantes. Por fim, o reino Animalia reúne os animais, seres eucarióticos, multicelulares e heterotróficos.
     Os vírus não estão incluídos em nenhum dos 5 reinos, pois são acelulares. São constituídos por uma ou algumas moléculas de ácidos nucléico, que podem ser o DNA, RNA ou os dois combinados envoltas por moléculas de proteínas.
Um exemplo dos reinos.

FONTES: Biologia dos Organismos 2 – Amabis e Martho. Editora Moderna.
http://biologo.com.br/bio/lineu/ (Visitado no dia 26/02/2018)


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